sábado, 21 de maio de 2011

Aumento salarial dos deputados: um debate mais profundo – Assis da Caixa


Quase todo eleitor reclama das mordomias e privilégios dos políticos, mas quando confrontados com práticas moralizadoras, muitos caem na armadilha clientelista.

Quando fui vereador em Conceição do Coité (2005 a 2008) recusei aumento salarial de 59%. Economizei mais de R$ 100 mil para os cofres públicos, mas, ao contrário do que imaginava, minha atitude não gerou grande repercussão nos meios políticos. E o que é pior, ainda recebi críticas de muita gente boa que achava que ao invés de recusar os privilégios, eu deveria receber o dinheiro e doá-lo a pessoas carentes.
A pergunta mais comum que ouvia era “para onde foi o dinheiro que você recusou?” Respondia que com a minha recusa o dinheiro ficou nos cofres públicos, a disposição dos gestores, no caso o presidente da Câmara de Vereadores e o Prefeito. Replicavam: “mas aí eles vão desviar…” Eu argumentava estar partindo do pressuposto de que os gestores são honestos e competentes, e que estava fazendo a minha parte e caso ele achasse o contrário mudasse de voto na próxima eleição. Aí vinha a tréplica invariável, reveladora da nossa cultura assistencialista: “Por que você não recebia o dinheiro e doava às pessoas carentes?”
Eu citava Montesquieu, que o papel do vereador é legislar e fiscalizar, que a assistência social é uma das atribuições do poder executivo e então perguntava: como eu poderia aceitar um aumento salarial que só foi dado aos vereadores e a nenhum outro servidor? Como poderia receber uma diária de valor superior ao salário mensal (à época era) da maioria dos funcionários? E, por fim, caso aceitasse o privilégio do aumento salarial de 59% e as diárias de marajás e os distribuísse com os pobres a conseqüência natural disso não seria eu querer salário e diárias cada vez maiores sob o pretexto de que com isso poderia ajudar mais e mais as pessoas carentes?
Apesar desses argumentos, poucas vezes consegui convencer o interlocutor de que a minha atitude moralizadora era a mais correta. Mas nunca me dei por vencido. Continuo acreditando que o falso altruísmo é, no fundo, uma armadilha. É puro clientelismo. O povo precisa cobrar mais  decência dos políticos.
Assis é funcionario da Caixa agência Conceição do Coité e preside o PT local

1 comentários:

Fredson Costa disse...

Prezado Prof. Cleidson de Oliveira, certamente, pessoas como esse jovem Assis, de Conceição do Coité-BA, pode fazer da política um espaço sociocultural, humano-cidadão e geográfico mais feliz.
Com certeza você e eu comungamos dessa mesma idéia: uma política do bem comum, justa e mais decente.
Gostei muito dessa publicação. Continue assim. Vida longa para este blog, mano.
Fé na luta, companheiro!!!

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